quinta-feira, 28 de julho de 2011

Sonegação





Depois de gastar meio milênio procurando um bom esconderijo que me mantivesse o mais longe da dor que meu coração de mim , ela me encontra e resolve cobrar tudo que lhe devo em lágrimas . Tal dor de meio milênio correspondente a dores do mundo inteiro , uma vez que uma pessoa físíca paga sua dívida em vida entretanto morre tentando pagar pelos juros altíssimos , cobrados pela dor de forma que nem a morte fosse remédio para sonegação .
Você se encontrará contando nos dedos duas ou três últimas pessoas que conseguem respirar e não te desapontar , uma vez que , enquanto existir oxigênio , existirão corações partidos , mais especificamente , o seu , as últimas pessoas a te cansar de tanto zelo e precaução , serão as últimas a te fazer querer se desfazer de toda a ingenuidade colocando fogo no que chamamos de vida social para dar início ao processo de desintoxicação quanto ao apego e suas consequências sempre tão clichês .

domingo, 24 de julho de 2011

Nasci disposta a morrer por amor e renunciei . Como palavras que morrem logo após serem ditas .
Foi preciso e para dar vida ao desejo de enfiar a mão dentro do peito , cruamente arrancar o inquilino fora e pedir que ele fizesse o favor de bater mais baixo . Fingir de morto , cortar relações com quaisquer sentimentos semelhantes ao amor e simplesmente bombear meu sangue , levá-lo ao meus pulmões , meu cérebro , a todos os meus órgãos , me poupar da dor e fim .
Renunciei a parte dolorida , o choro, as noites mal dormidas , o discurso meloso apaixonado tatuado em minha testa .
O coração que se abriga em mim e me deve obediência é o mesmo coração que palpita disposto a levar um tiro de canhão por amor . Pelo mesmo amor estúpido que alimento e renuncio .

sábado, 9 de julho de 2011

O som do teu tum tum quebra o silêncio , solitário . Não há solidão tão sólida quanto a do silêncio , que só existe em algum lugar do mundo que desconheça outro lugar que , ao fazer silêncio , desconhece a existência de outro tal lugar que , no momento , faz ruído . Como uma árvore de natal feita do mundo com pisca pisca que faz uma lampadazinha de ruídos piscar ao sul , sem saber que outra lampadazinha acabara de piscar ao Norte e outra piscará ao Leste ... Até que o ruído se espalhe em todos os lugares que não se possam estar ao mesmo tempo pra saber que o silêncio só existe no pensamento .
Enquanto me calo , meus neurônios berram ; Enquanto fico surda ao som de algo dançante , Chineses se calam após as 11 da noite e cantarolam em pensamento ; Enquanto uma canção toca em volume máximo em qualquer buraco do mundo , canto-a mentalmente , sem perceber que tal ruído mata o silêncio .

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A ausência do fonema tornara as letras solitárias em seu 'leito de vida' , uma vez que , não existem nas cordas vocais de São Longuinho , para que , em troca de meia dúzia de pulinhos , pudessem existir nas cordais vocais do mundo mudo , inteiro .
Pequei em ter pensado igualmente ao mundo inteiro , mudo , que dorme às 9 e perde de assistir o céu brincar de ser lindo , perde de contar 364 estrelas e esperar nascer 364 verrugas no dedo , perde de sonhar de olhos abertos , sem perder nenhum minuto de vida tendo pesadelos por 6 ou 8 horas de sono no sarcófago de um quarto , perde de viver todos os segundos , minutos e horas das 24 horas que Deus fez pra que fossem vividas . Sonhei com 24 horas de noite e nunca mais acordei .


Que meus olhos chorem a água da chuva , que caiam minhas pálpebras , contanto que não me façam dormir .