quinta-feira, 8 de março de 2012

Estação

Digamos que a culpa pela derrota na queda de braço com o que parecia ser meu antigo eu - De movimentos friamente calculados e coração nunca disposto a entrar em acordo com quaisquer sentimentos com consideráveis chances de ferí-lo uma vez mais- seja inteiramente da parte imbecil de um outro eu , descoberto há pouco . O que poderia estar totalmente ligado ao fato de meus agora frágeis braços não serem capazes de manter a porta fechada.
Este lugar tem se tornado mais frequentado que uma estação de trem .Tão parecido com uma estação de trem quanto uma estação de trem. Longos espaços entre chegadas e partidas sem piedade com quem mora em um dos quaiquer bancos e vive da espera falsamente paciente -Para que a saudade não se dê conta de sua existência e seja obrigada a fingir não existir , nem pestanejar .
Há bilhetes por toda parte , a qualquer destino e preço . Entretanto , quem ocupa todos os espaços e acentos desta estação não pretende embarcar . Não agora . Enquanto isso , o eu imbecil permanece na Condicional . Sem direito de comprá-los , nem de reclamar sobre sua estadia solitária quando a noite cai , todos os espaços estão vazios e a porta continua aberta . Até que o dono de todos os bilhetes se canse de estar em todos os lugares do mundo do lado de fora da porta e resolva ocupar ,permanentemente, todos os espaços do lado de dentro . Onde já não existe destino algum . Só um bando de bancos vazios , um trem banido e o que pode se chamar de "Eu te esperando como cada dia de sempre "

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