domingo, 18 de novembro de 2012

Já pagou seu dízimo hoje,ermão?


Uma das várias manias estranhas que tenho é deixar a tv sempre ligada,baixinha para driblar o silêncio-que me lembra solidão,depressão e tudo que pode haver de ruim e agonizante terminado em 'ão'.Pude perceber,entre uma olhada rápida e outra o quão convidativa qualquer coisa da tv pode ser para um pobre de livros,de dinheiro e felicidade que acaba por concluir que tal qualquer coisa é boa e/ou certa.Sim,eu acredito em Deus...e na ciência,na razão e nas pessoas(nas que leem) e respeito todo e qualquer clã,religião ou seita-desde que não desrespeitem os direitos humanos- .O que me intriga é a descrença em si mesmo e na vida de alguém que precisa ouvir da boca de um homem feito de mesma carne que Deus vai operar em troca de um "agradinho".
Conto-lhes o que vi:um homem tipicamente devedor,descrente da vida e desesperado que esperava um milagre optando por ligar para um programa de tv onde foi devidamente designado a pegar uma de suas camisas vermelhas,colocá-la ao avesso e dar um nó a fim de tirá-lo do "vermelho",amarrando,assim,todos os seus problemas daí em diante.E Deus? Onde Deus entra aí? Esse foi só um dos muitos absurdos de que já me inteirei. Com duas ou três passadas na camisa,o pobre homem pode tê-la de volta,porém os muitos sacrifícios financeiros vindos posteriormente..disso eu já não sei.
Globalização,"show business" e "time is money".Quanto mais se estuda,mais se ganha ,menos se trabalha e sobra tempo e dinheiro para os filhos,esposa/marido ,livros e mais estudo,mais dinheiro,menos tempo.Quanto menor os investimentos em educação,maior o número de escolas ruis de professores que ganham mal,menor o número de formados,maior o número de semi-analfabetos que terão de se preocupar em trabalhar mais e ler menos para garantir o sustento. Portanto,jornais e emissoras de tv que falam a "língua do povo" de conhecimento ora mastigado,ora distorcido e muitas vezes,depravado, ganham mais.Se você trabalha mais e vive cansado,tem menos tempo para ler jornais de palavras complicadas e precisa de uma máquina rápida de jogar informações.Consequentemente angustiado,de muitos problemas e carente de tudo que uma suposta religião tem a oferecer em troca de dinheiro.Você precisa trabalhar mais,ficar mais carente e pagar mais dízimos e impostos e assistir mais tv e pagar o seu Zé da mercearia.Então você põe um copo d'água sobre a tv,investe 100 reais naquele milagre e trabalha mais para aumentar o investimento,e trabalha mais,e lê menos,e sabe menos,e ganha menos,vive e morre "menos".
Acredita em Deus e quer um milagre? ore! Não funcionou? ore de novo! Ainda não? Faça por onde! E ore de novo!
E leia.
Muito.
E trabalhe.
E faça as unhas dos pés.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Anomalia sem diagnóstico

Já nasci tendo como condição para um pão quentinho,uma fila e alguns reais.Me lembro de ter aceitado tão facilmente ao ponto de acreditar que só o padeiro sabia fazer o pão até minha sábia avó me contar histórias de suas pernas antes de repousarem em uma cadeira. Pessoas faziam seu próprio pão,sua casa,suas roupas... Instantaneamente, quis saber não ser tão dependente do mundo e me juntar a um acampamento hippie para sempre como penitência.Não tenho culpa de ter nascido nesse instante do mundo,mas,por outro lado, a todo momento me sinto obrigada a fazer algo extraordinário,que ofusque o brilho da inquietude inerte que compartilho com a gente daqui e de hoje.
Costumo inventar histórias de finais ora felizes,ora catastróficos para cada possível percuso.E enquanto o pé está no ar,imagino que já está no chão...Onde talvez possa existir um caco de vidro bem ponteagudo ou um prego tão enferrujado que nem uma antitetânica possa me salvar de uma amputação.
Já que ser ''Do contra" e Bipolar virou "modinha" e "modinha" virou "modinha", sentencio : Anomalia sem diagnóstico. A não ser a parte clichê que todos os "quaisquer uns" dizem da fase demoníaca da adolescência onde nascem descobertas,mudanças comportamentais e pelos.Me encontro na fase Vestibular,que inibe qualquer descoberta(a não ser a do Brasil, obrigatoriamente absorvida de cor,salteado,sapateado,salsa,merengue,bolero...), tempo e espaço pra outra coisa que não vá cair no ENEM.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Estou aí

Já quis um bando de coisas e um bando de ''não querer''. Te daria o sopro do resto da minha vida sem sal,se você a quisesse.Se não fossem os pés,quilômetros,pessoas e o mundo entre nós.Mas o que importa agora-se é que algo além de você importa mais que qualquer coisa que pudesse ser importante- é que saiba que,espirirualmente ou sei lá, estou aí.Aqui dentro.E gosto de fingir que você ouve meu chamado e está vindo me buscar pra sermos felizes ou qualquer coisa que Deus queira. Qualquer coisa que seja 'nós'.
Já vivi o sufuciente pra me arrepender de não ter vivido mais pra me arrepender de cada minuto desperdiçado com rodinhas na bicicleta e protetor solar.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Vácuo cheio

Não tenho nada além de orgulho , um pedaço e meio de pizza e a parte vazia do buraco cheio do vazio de sempre.
Que o vácuo seja eterno e que tumores que aparentam ser benignos não se alojem em sua parede.
Que sejamos feitos de orgulho , que nos afastemos e sejamos felizes sem desejar o bem falso um ao outro .
Que desejemos morte escancarada e sinceramente .
Que finjamos não nos importar até não nos importarmos .
Que soltemos indiretas clichês até ficarmos velhos e arrependidos por termos sido jovens .

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Merthiolate

Todos os dias tem meio dia . Todos os meio-dias tem os dias . Todos os dias tem a gente - 24 horas mais experiente. Ou não . A gente apanha , doi , e inconsientemente consciente , tiramos os pontos e deixamos o Merthiolate - O do meu tempo de joelho ralado, que , sim , ardia.- penetrar esperando que não arda ou , insconscientemente consciente não esperando nada . A não ser que não arda. E arde . Não esperar ardência e o desenrolar do enredo não mudam o fim.
Intrigamo-nos , a ferida seca , voltamos a nos mechucar e a usar do líquido vermelho , inconsientemente consciente -Até que comece a arder . Xinga-se céus e terras . Seca-se , fere-se , Merthiolate , meio-dia , a gente ...

domingo, 22 de abril de 2012

Fantasiar - verbo involuntário

Me dói ter de abrir mão do excelentíssimo esposo para um estúdio na Califórnia , de onde vem o sustendo de nossos três queridos filhos que não me deixam dispensar as babás , pois apesar do meu muito bem-querer e amor a dar , me faltam 150 braços suficientes para mantê-los a salvo de mais arranhões e galos . Não é como dizem ? "Criança saudável , é criança levada !" Felizes , isso sim . E quando o pai entra por aquela porta com mais presentes que pode aguentar carregar ? Os três se penduram no pobrezinho ,o enchem de abraços e deixam os embrulhos e caixas por onde passam , com os olhinhos brilhando . E quando finalmente tem os braços livres , os estende para mim . Meu maior presente - Ignorando todas as flores , joias e afins- é aquele meio sorriso que só se estende a sorriso quando me aproximo .
11/quase 12 anos em 2005 e quase nada de expêriêcia quanto criança que gosta de dizer que é adolescente . Por crueldade do destino -desgosto da mãe e chacota das tias inconvenientes que se alimentam de vestígios de vida sentimental em festas familiares-apaixonada pelo ídolo . Um zilhão de vezes culpa da geração . Ou não . Rio de Janeiro ........................................................Los Angeles . (Piadas e deboches , apenas pelo correio . Costumo guardá-los com muito carinho junto aos mais célebres " Levem-na à um psicólogo" e aos conselhos amorosos indispensáveis da minha mãe ao lado do porão em que guardo as lembranças de nosso casamento. Cancún . Verão . Minha familia , sua familia , Mariachis cantando nossa música no lugar de "Ave Maria" - Como pedira tão encarecidamente sua linda e amorosa mãe , minha sogra e eu , tão sorrateiramente , não o fiz - Discursos chorosos , "Sim" e "Claro que sim" , o beijo e fim)

segunda-feira, 12 de março de 2012

Platonississimamente

Em 1999 - com 6 anos de quase nenhuma experiência como gente- perdi um dente , aprendi a ler sem gaguejar fui apresentada aos " caras que tocam Ana Julia" . Gastei uma fortuna de milhares de 50 centavos com fichas de Karaokê no restaurante/pizzaria em que jantávamos aos domingos . Sem mais dente nenhum a perder , construindo caráter musical , fui tentada a mergulhar naquele som e em todas aquelas coisas lindas e agridoces . Quando a vida me fez adquirir caráter sufuciente para entendê-las , tudo se tornou mais fácil . Vozes soprando no meu ouvido coisas sobre a vida , amor , dor e felicidade como se minha alma se descosturasse do meu corpo e sax , guitarra , baixo , flauta transversal por fim me transformassem em Hermana . Como se tivese nascido com sangue Hermano correndo em minhas veias . Por fim , Los Hermanos.
Essa vida de nostalgia do que não tive e o querer ter tido 18 anos , Jornalismo na PUC e ensaios de garagem Los Hermanos em 1994 - Quando tinha 1 ano de quase nenhuma experiência como gente- não passa de uma ridícula paixonite idiota platonissíssima secreta pelo Amarante . Me julguem - E guardem segredo .

sexta-feira, 9 de março de 2012

Não é macumba , é amor

Dor de ressaca e tremedeira pedinte de veneno matinal .Doses cavalares se aplicam sozinhas .Você vem , perfura o buraco moldado por sua dor no meu peito , aumenta o buraco da parte reservada pra você na minha mente e se acomoda . Só me resta a genial hipótese de que você é a espécie desconhecida de droga que toma , fuma , mastiga e cospe quem ingere .
Talvez eu ame sua dor - a única parte sua que me pertence- , talvez eu queira viver a dor , já que , por motivos que não cabem à um reles mortal questionar , as feridas se esqueceram de cicatrizar e os buracos se esqueceram de fechar por apreço a mim e eu a eles .Talvez o masoquismo tenha a ver com o fato de não existirem estruturas tamanho G e a ditadura da magreza tenha me feito de refém sem que eu pudesse me dar conta . Mais forte que qualquer resto de força .Mais forte que a força de qualquer coisa -concreta ou abstrata-

quinta-feira, 8 de março de 2012

Fadiga secular de meio-dia

Era meio-dia, você abriu a porta sem pedir licença e me acordou . E ainda que eu quisesse dormir até esquecer quem eu era e só acordar no século XXX , o que te disse ? - Bom Dia - E sorri - E ouvi tudo que me dissera com atenção . Dei-lhe conselhos -daqueles que soam melhor sendo dados que aplicados - e deixei de tomar café porque dissera ser hora de almoço .
N'outro dia , quis me afastar de todo e qualquer comportamento humano . Pus minhas tralhas na cadeira ao lado . Você as tirou e sentou-se lá . Não queria ter dito nada , mas você disse 'Oi' . E nós conversamos sobre você , sua vida e seus problemas .
Ontem acordei ainda no século XXI e fui até sua casa . Era meio-dia e bati . Bati . Bati . Me abriu a porta com xícara de café na mão direita e remela nos olhos . Resmungou . Perguntou o que eu queria e esqueceu de parar de falar de si mesmo para me ouvir . Pediu ajuda com a roupa suja e carona pro trabalho . Estava atrasado . E nao me aborreci .
Fadiga secular , sabe ? Portanto , não se chateie caso eu não lhe dê Bom dia enquanto almoço na hora da janta . Há muito que o dom de ser apenas a parte do eu que lhe permito conhecer não me pertence .Minhas bochechas doem e já não sustentam risos falsos .
Me dê um século , Ok ? Só estou descarregando dores e maus humores que não fui capaz de sustentar durante a vida toda . E não sei se consigo não ser egoísta o bastante para liberá-los a qualquer um que não seja eu .

Estação

Digamos que a culpa pela derrota na queda de braço com o que parecia ser meu antigo eu - De movimentos friamente calculados e coração nunca disposto a entrar em acordo com quaisquer sentimentos com consideráveis chances de ferí-lo uma vez mais- seja inteiramente da parte imbecil de um outro eu , descoberto há pouco . O que poderia estar totalmente ligado ao fato de meus agora frágeis braços não serem capazes de manter a porta fechada.
Este lugar tem se tornado mais frequentado que uma estação de trem .Tão parecido com uma estação de trem quanto uma estação de trem. Longos espaços entre chegadas e partidas sem piedade com quem mora em um dos quaiquer bancos e vive da espera falsamente paciente -Para que a saudade não se dê conta de sua existência e seja obrigada a fingir não existir , nem pestanejar .
Há bilhetes por toda parte , a qualquer destino e preço . Entretanto , quem ocupa todos os espaços e acentos desta estação não pretende embarcar . Não agora . Enquanto isso , o eu imbecil permanece na Condicional . Sem direito de comprá-los , nem de reclamar sobre sua estadia solitária quando a noite cai , todos os espaços estão vazios e a porta continua aberta . Até que o dono de todos os bilhetes se canse de estar em todos os lugares do mundo do lado de fora da porta e resolva ocupar ,permanentemente, todos os espaços do lado de dentro . Onde já não existe destino algum . Só um bando de bancos vazios , um trem banido e o que pode se chamar de "Eu te esperando como cada dia de sempre "

terça-feira, 6 de março de 2012

O barco

Tinha visto o barco dançar há 5 minutos e , agora , nunca o vi tão quieto . Adormecendo , diria . Nada de ondulações brutas . Humildes pedaços envelhecidos de madeira nobre sob um tapete azul , apenas .
Havia muito não via os pingos salgados caindo dos olhos do tapete azul de lá de cima . Mas desde que todos os passarinhos verdes voaram para o Sul , as ondas , outra vez violentas , são perfuradas ruidosamente pelo choro do tapete -agora , cinza .
Protegendo-se , cá dentro , está o homem cansado de remar . Encolhendo enquanto cada pingo trazia consigo pedaços de lembranças de quem ele era . Fugira do tapete de todo mundo . Conseguira esquecer de boa parte do sofrimento distraindo-se com a beleza do nada . Guardara nos braços a bagagem que lhe convinha com o resto das lembranças que daria a vida por não perder .
Fora da bagagem , de barba maior que os cabelos, roupas encardidas e cheiro forte de peixe . Dentro , pedaços de papel retangulares parecidos com fotografias onde , aparentemente , retratavam-no. Rosto jovial , olhos de sonhador - Os quais ainda eram nítidos ainda que tivesse se esquecido de notá-los na falta de nitidez das velhas fotos - Ao fundo , linda casa , portas abertas , lindo dia . ar de felicidade . Nos braços , o mesmo violão , estranhamente intacto , apesar do tempo indefinidamente longo que passara .
O homem escolhera não se lembrar mais do motivo pelo qual preferia o nada , apenas do que o sustentava enquanto vivia no tudo do tapete de todo mundo . Não importava mais que a única fotografia restante se desfizesse ainda mais , pois tratara de projetá-la em todos os minutos de sua incondicional opcional .
Fizera questão de lembrar de esquecer do que o faria desistir do nada do mesmo modo em que desistiu de tudo por algo que esquecera após viver de tentar esquecer .
A cada dia um acorde substituia o lugar que sua mente reservara para um pedaço da lembrança da fotografia , que também foi obrigada a ser esquecida .Assim como sua antiga vida , que , aos poucos ficava mais distante do que o fazia querer abandonar tudo -ou nada- de novo .
Já não se lembrava mais dos nomes dos dias da semana , nem dos meses . Até que se perdeu no tempo junto ao temporal de ontem .
O que um dia poderia ter sido chamada de fotografia , que nunca mais seria lembrada caso não resolvesse aparecer por conta prória , saíra de dentro de onde vinha o som . Enquanto as ondas sacudiam o barco e as águas invadiam cada espaço seco , sua bagagem e todas as coisas sem vida boiavam , o homem apenas se lamentava por perder o violão - a lembrança restante e concreta .
Agia igualmente a um dia de tempestade comum em uma tempestade incomum . Entre as cordas da lembrança concreta , um pedaço molhado de papel retangular fez-se , também , concreto ao retratar perfeita e unicamente ao homem seus olhos de sonhador . Reconheceu-se neles . Ao lado , estavam os olhos de seu coração , a dona de sua alma , o motivo de todos seus dias alegres .
Lamentou por ter se esquecido de saber nadar até perder os braços -quizá a vida -por se ver novamente dentro dos olhos da mulher .
Lamentou por ter esquecido o Pai Nosso e pediu ao que restava da lembrança do Pai que devolvesse todas as lembranças .
Lamentou por ter se lembrado de ter aprendido a nadar quando o tapete azul inundava violentamente suas vias respiratórias e tomava suas forças .
Com o violão nos braços , foi tomado pelas lembranças e afogou-se nelas .

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Um brinde ao insensato tirano. Mas , antes , ordenem que a miserável escrava nos traga a última dose de seu sangue em uma de nossas melhores taças. Caso haja relutância , lembrem-na de minha excelência e sua infelicidade eterna obrigatória . Ameacem-na.
Beber do reles sangue que me pertence enquanto a vejo definhar se tornara mais prazeroso que de costume . Um dia desses , com um ''sem querer falso'' , esqueço-me que somos um só e ordeno que me tragam sua alma no jantar .
Se reles sangue não me fosse tão convidativo , talvez meu desejo doentio por infelicidade a deixasse ter escolha . Entretanto , tenho crueldade o suficiente para sobreviver com a culpa que , tem me atormentado cada vez menos .
A infeliz , por sua vez , tem recebido de bom grado as migalhas contanto que fiquemos longe do que ela julga pior que este belíssimo inferno que eu criara com muito gosto - O que a tomou metade do sangue , forças e vontade de viver em todas suas outras vidas .
Enquanto todo e qualquer escravo reluta e decide viver por ele , ela o renuncia . Quase gosta tanto quanto eu de sua infelicidade. Mais que isso , a abriga .Como se precisasse dela para viver . O que acabara tornando a parte prazerosa um tanto quanto tediosa na ausência de resistência , gritos ou lágrimas .
Em um ímpeto, o melhor dos piores pensamentos me pegara e não conseguira mais não pensar em torná-lo real .
- Que sejas livre ! - Meu berro saira como lanças sobre os olhos da miserável que nunca havia derramados lágrima alguma. Se tivesse conhecimento da dor perdida pela qual eu tanto procurava , a que me divertia , talvez voltasse atrás e a mantivesse como prisioneira novamente , proferindo estas três palavras para sempre .
- Se é que estou viva , prefiro a morte deste inferno a ser livre sem ele ! - A infeliz acabara de falar pela primeira vez . Ao som de suas primeiras palavras , entendera a que tipo de dor ela tanto se apegara : a dor do amado que a deixara . A única parte dele que ainda a pertencia .
Enquato o céu se banhava de vermelho côr de nascer do sol e depois , azul claro cor de dia após terrível tempestade , lá estava ela . Se misturando a todas as coisas lindas criadas delicadamente pelo Salvador . Como se a maldade nunca tivesse existido ou estivesse presa na dimensão da linha tênue e invisível entre o pôr e nascer do tímido astro . Como se cada célula de seu corpo soubesse que viemos de passagem e teremos de deixar-nos .Como se a paz e o amor nos pertencessem e não precisássemos lutar por eles .
­A dor só dizia respeito a seu peito - Que a abrigava sem fazer ruído - enquanto seus sonhos gritavam .
Tinha fome e sede de amar . Gostava de poder dizer todos os dias "Até amanhã" a única certeza de todos os dias , o astro rei , e agradecer ao Salvador por ter-nos presenteado.
Nunca adormecia . Não gostava de perder o ceu brincar de ser lindo à noite .

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Sueles volver..

Tinha todas as cenas milimetricamente boladas por mim , só precisava fazer com que elas acontecessem . Agora . Com o que você fez do meu coração na mão e por obra do destino - Depois de tê-lo ameaçado e prometido propina das grandes ; com você tão perto e tão longe e eu prestes a pular de susto com o despertador do futuro me sacudindo e dizendo que se quisesse ter algo parecido com o dia mais feliz da vida , antes precisaria me lembrar de respirar . Respirar ainda que metade do ar estivesse dentro daquela sala tão perto e tão longe que a cada minuto ficava menos longe . A cada lágrima engolida a seco , cada dia dos últimos 7 dias , cada dia dos últimos 7 anos desde que tudo nasceu só dentro de mim sem que você soubesse que eu nasci .Cerrei os olhos na tentativa de que o choro teimoso voltasse ao lugar e me peguei aos gritos do tal despertador . Atravessei aquela porta e nasci . Nasceria um milhão de vezes se em cada uma delas , pudesse encontrar teus olhos . A única coisa que me lembro desde que me entendo por gente . A única coisa pela qual morreria se fosse preciso . Ali . Agora . Já que todo meu corpo não me deixou dizer nada ,só guardar a lembrança do teu cheiro pra quando eu quiser brincar de imaginar que você é meu . Pra quando eu não me lembrar mais do teu cheiro , a imaginação me falhar e tiver que nascer mais um milhão de vezes pra encontrar teus olhos de novo até que o despertador do futuro não desperte mais